• Vinícius Santos Pereira

Entenda os efeitos de baixas temperaturas na adubação nitrogenada


Boa incidência solar, temperatura amena e um bom regime de chuvas são os principais fatores para um bom desenvolvimento das plantas. Mas tem algo que talvez não seja tão claro: como essas condições afetam a dinâmica do nitrogênio e, consequentemente, sua adubação?


Nesse artigo você vai conhecer os 3 principais efeitos que as baixas temperaturas têm na adubação nitrogenada. Eles são:

  • Disponibilidade de nitrogênio

  • Perdas por volatilização

  • Acúmulo de matéria orgânica




Disponibilidade de nitrogênio


Na maioria das culturas, uma boa parte do nitrogênio que as plantas precisam durante todo o seu ciclo é fornecido pelas reservas do nutriente no solo. Esse está presente na biomassa da palhada das culturas antecessoras, na matéria orgânica do solo (MOS) e diversos compostos nitrogenados presentes na estrutura do solo.


A MOS em especial, é uma fonte de nitrogênio muito estável que demora anos para ser esgotada. A liberação do nutriente ocorre de forma lenta através do processo de mineralização, em que os compostos orgânicos são degradados em fontes de nutrientes mais simples, que podem ser absorvidas pelas plantas.


Em condições de temperaturas muito baixas, a reação de mineralização da matéria orgânica do solo e de decomposição da palhada das culturas antecessoras fica limitada. Isso acontece pois esses processos ocorrem devido à ação de bactérias, que necessitam de temperaturas maiores para prosperar.


Em geral, a atividade bacteriana de mineralização da MOS tem um pico próximo aos 40°C e cai drasticamente com a redução da temperatura, sendo mínima próxima aos 10°C. Nessas condições a liberação de nitrogênio fica limitada, reduzindo sua disponibilidade às plantas. Uma prática que ajuda a minimizar esse efeito é o estabelecimento de cobertura permanente no solo, ajudando na manutenção da sua temperatura.



Perdas por volatilização


Insumos nitrogenados em geral estão sujeitos a grandes perdas para o ambiente se não manejados de forma correta, sendo a perda por volatilização de amônia a mais expressiva (podendo chegar a 50%).


Essa forma de perda ocorre principalmente com insumos na forma amídica (ureia), quando entram em contato com a água e a enzima urease presentes no solo. O resultado é formação do íon amônio (NH4+) e da amônia (NH3). O primeiro é capaz de se ligar à estrutura do solo, porém a amônia, que é um composto gasoso, precisa ser convertido em amônio para fazer o mesmo.


Quando a formação de amônia ocorre próxima à superfície, condição de adubação de cobertura por exemplo, esse composto está sujeito a volatilizar e ser perdido para a atmosfera. E a temperatura é um fator muito importante nisso: quanto mais quente, mais amônia irá volatilizar e vice-versa.


Dessa forma, em períodos mais frios, ocorre uma considerável redução das perdas de nitrogênio na lavoura, visto que a principal forma está limitada pela baixa temperatura.



Acúmulo de matéria orgânica


Em condições de menores temperaturas haverá uma facilitação de ocorrer acúmulo de matéria orgânica. Isso acontece como consequência da sua menor mineralização, que é limitada pela baixa atividade bacteriana nessas condições.


Havendo constante atividade agrícola com estabelecimento de cobertura por palhada, especialmente de culturas com alta relação C/N como trigo, aveia e milho, a tendência é que a biomassa deixada sobre o solo supere o necessário para manter os teores de MOS. Dessa forma, a cada safra haveria mais acréscimo de matéria orgânica a partir da biomassa das culturas antecessoras do que gasto de MOS devido à mineralização.



Afinal, qual o impacto de baixas temperaturas na adubação nitrogenada?


Existe uma linha tênue entre as vantagens e desvantagens das baixas temperaturas na adubação nitrogenada, pois haverá um aumento na conservação e acúmulo de matéria orgânica, ao passo que o aproveitamento a curto prazo pelas lavouras será menor.


Cabe lembrar que a temperatura afeta mais do que a dinâmica do nitrogênio. Além de reduzir a atividade bacteriana, menores temperaturas também irão desacelerar o crescimento das plantas e, muitas vezes, períodos mais frios coincidem com disponibilidade luminosa bastante limitada, reduzindo assim o potencial produtivo da lavoura.


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